Um diálogo com uma pessoa que se diz culta é capaz de revelar muitas coisas. A primeira delas: ela é uma farsante. Para começar, a criatura rechaça quaisquer manifestações populares. Afirma categoricamente não assistir à televisão, porque “na televisão não há nada que preste”. Cultura, para essas pessoas, significa meramente ter conhecimento sobre o que não é de domínio público. É conhecer o cinema francês, entender de filosofia, história, conhecer as obras do renascimento, barroco, dadaísmo, etc. Gente que se considera culta não admite sequer ouvir falar sobre a novela das oito ou sobre o eliminado do Big Brother, porque faz toda questão de não saber. Quer estar acima da maioria, acima do que chama de povo. Essa gente, cheia de pretensões, de falar empolado, aclamando suas próprias reflexões com tom de verdade absoluta, acaba convencendo a si – e aos outros também – de que é superior à massa.Os ditos cultos não conhecem o hit do verão, não conhecem as musas do funk, não conhecem as mulheres fruta, não conhecem bandas de axé, de pagode, cantores sertanejos, não conhecem os bordões repetidos pela multidão... No final das contas, não conhecem nada da realidade que os cerca. E essa gente culta crê que os diferentes dela são os “alienados” (palavra que repetem incansavelmente na tentativa de fortalecer a imagem de sábio). O “sábio”, na verdade, pouco entende sobre o mundo daqueles que considera alienados, porque se alienou deles por vontade própria. Ao passo que, o sujeito da massa, mesmo sendo repelido pelo grupo da cultura elitizada, é capaz de criar e recriar conceitos, produtos, gírias, histórias.Em meio ao grupo dos incultos, “chato” é o primeiro adjetivo que o culto recebe. Mas, não é só isso. Esse tipo de comportamento revela a estupidez de uma pessoa que não é capaz de adaptar-se à civilização. Ela não entende que a cultura está por toda parte, muito além dos livros de literatura e das canções do Caetano Veloso. A cultura manifesta-se também no futebol, também nas rádios populares, também nas revistas de fofoca das celebridades. Na televisão, inclusive. Renegar esse fato é ignorar o conceito de cultura e desconhecer o mundo contemporâneo, apesar de esforçar-se para entender de uma cultura remota.Esse culto está aquém do que pensa que é. Ele é pior que um ignorante, porque o seu desprezo parte do livre arbítrio, desconhece por opção. Cultos assim são burros demais. Quando encontrar com um – e você saberá quando for – afaste-se dele e dos bajuladores que o cercam. Porque pessoas inteligentes são capazes de tolerar a ignorância quando ela resulta de uma sociedade que pouco valoriza a disseminação do conhecimento entre as classes. Mas, os verdadeiros cultos abominam farsantes e puxa-sacos. Adoraria saber quem escreveu esse texto!sexta-feira, junho 12, 2009
GENTE CULTA (Adorei esse texto).
Um diálogo com uma pessoa que se diz culta é capaz de revelar muitas coisas. A primeira delas: ela é uma farsante. Para começar, a criatura rechaça quaisquer manifestações populares. Afirma categoricamente não assistir à televisão, porque “na televisão não há nada que preste”. Cultura, para essas pessoas, significa meramente ter conhecimento sobre o que não é de domínio público. É conhecer o cinema francês, entender de filosofia, história, conhecer as obras do renascimento, barroco, dadaísmo, etc. Gente que se considera culta não admite sequer ouvir falar sobre a novela das oito ou sobre o eliminado do Big Brother, porque faz toda questão de não saber. Quer estar acima da maioria, acima do que chama de povo. Essa gente, cheia de pretensões, de falar empolado, aclamando suas próprias reflexões com tom de verdade absoluta, acaba convencendo a si – e aos outros também – de que é superior à massa.Os ditos cultos não conhecem o hit do verão, não conhecem as musas do funk, não conhecem as mulheres fruta, não conhecem bandas de axé, de pagode, cantores sertanejos, não conhecem os bordões repetidos pela multidão... No final das contas, não conhecem nada da realidade que os cerca. E essa gente culta crê que os diferentes dela são os “alienados” (palavra que repetem incansavelmente na tentativa de fortalecer a imagem de sábio). O “sábio”, na verdade, pouco entende sobre o mundo daqueles que considera alienados, porque se alienou deles por vontade própria. Ao passo que, o sujeito da massa, mesmo sendo repelido pelo grupo da cultura elitizada, é capaz de criar e recriar conceitos, produtos, gírias, histórias.Em meio ao grupo dos incultos, “chato” é o primeiro adjetivo que o culto recebe. Mas, não é só isso. Esse tipo de comportamento revela a estupidez de uma pessoa que não é capaz de adaptar-se à civilização. Ela não entende que a cultura está por toda parte, muito além dos livros de literatura e das canções do Caetano Veloso. A cultura manifesta-se também no futebol, também nas rádios populares, também nas revistas de fofoca das celebridades. Na televisão, inclusive. Renegar esse fato é ignorar o conceito de cultura e desconhecer o mundo contemporâneo, apesar de esforçar-se para entender de uma cultura remota.Esse culto está aquém do que pensa que é. Ele é pior que um ignorante, porque o seu desprezo parte do livre arbítrio, desconhece por opção. Cultos assim são burros demais. Quando encontrar com um – e você saberá quando for – afaste-se dele e dos bajuladores que o cercam. Porque pessoas inteligentes são capazes de tolerar a ignorância quando ela resulta de uma sociedade que pouco valoriza a disseminação do conhecimento entre as classes. Mas, os verdadeiros cultos abominam farsantes e puxa-sacos. Adoraria saber quem escreveu esse texto!
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